Saturday, June 25, 2005

ilhas ao luar


(C) TCAPosted by Hello

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Fiz-me ao mar com lua cheia
A esse mar de ruas e cafés
Com vagas de olhos a rolar
Que nem me viam no convés
Tão cegas no seu vogar

E assim fui na monção
Perdido na imensidão
Deparei com uma ilha
Uma pequena maravilha

Meio submersa
Resistindo à toada
Deu-me dois dedos de conversa
Já cheia de andar calada

Tinha um olhar acanhado
E uma blusa azul-grená
Com o botão desapertado
E por dentro tão ousado
Um peito sem soutien

Ancoramos num rochedo
Sacudimos o sal e o medo
Falámos de música e cinema
Lia fernando pessoa
E às vezes também fazia um poema

E no cabelo vi-lhe conchas
E na boca uma pérola a brilhar
Despiu o olhar de defesa
Pôs-me o mapa sobre a mesa

Deu-me conta dessas ilhas
Arquipélagos ao luar
Com os areais estendidos
Contra a cegueira do mar
Esperando veleiros perdidos

A Ilha, Carlos T * Rui Veloso

12 comments:

Cientista said...

:)

Litostive said...

"Já cheia de andar calada"
Também eu me cansei de andar calada... Estou de volta. :)
Beijo...
Miriam

r.e. said...

adoro estes riscos. de todos os teus estilos, este é o que me fascina sempre mais, pela singeleza, pela precisão, pela expressividade... parabéns, tca. abraço. J.

MONALISA said...

Que posso dizer que não tenha sido dito já? Posos dar-te um beijo repenicado, está bem?

Azul said...

Belo texto para belo risco.

"Uma linha curva, outra a direito,
uma às avessas, outra de permeio.
As rodas traçam o caminho do carvão.
As luas sucedem-se entrelaçadas. Apertam os colares destroçados pelo calor e
cabelos ao vento, conchas caídas pela areia,
roupa espalhada e um barco de remos à nossa espera." Para si, TCA. Fiz isto agora mesmo, aqui. Espero que goste. Um abraço com admiração. Azul.

Pink said...

Como sempre. riscos singelos e belos a ilustrarem um poema muito bonito e com imagens lindas de Carlos T. Não conhecia! Um beijo e boa semana.

Anonymous said...

há cada ilha tão maravilha...

O Micróbio said...

E os riscos? Serão reflexos da lua nas águas em redor das ilhas? :-)

hirondelle said...

"No lugar dos palácios desertos e em ruínas/
à beira mar/
leia-mos, sorrindo, os segredos das sinas/
de quem sabe amar." - Àlvaro de Campos.

Os riscos...difíceis,simples,fluidos e intensos, acho que os entendo.

Olha lá moço, azul-grená não é cor de gaja?
Beijos mil

Menina_marota said...

Bela música...e os riscos estão a acompanhar...
Abraço ;)

MONALISA said...

Descobri uma coisa para ti. Este poema de um autor que desconhecia:
Ideias que resvalam sem se definirem/Palavras que me ocorrem breves nos ouvidos/Sensações que me roçam e se escapam logo/Metáforas que esvoaçam sem poisar sequer/Tudo me foge e vivo um certo desconforto/Por não guardar sinais de quanto me impressiona. / Assim alexandrino busco com empenho/ Corporizar em coisas exprimir em táctil/Tornar fisicamente o abstracto no concreto/ Sentir um sentimento expresso em pedra ou flor/ Algo para aquecer na pele pulsar no sangue/Algo para trazer aconchegado ao corpo/ E assim marsupial guardar no corpo a vida.

Gostas?

Beijo

MONALISA said...

Opps! Esqueci-me do autor! Fernando Vieira. Conhecias? Eu não. Mais beijo