Friday, March 31, 2006

verde saphira


(C) TCA Posted by Picasa

_______________________________________________
(...)
Aqui na aldeia não nos falta nada
os aloés têm uma tesão enorme e na pontinha mais alta da quase glande abrem-se em beijinhos de língua e esperma de seiva.os aloés são curativos. Aqui na aldeia à beira do mar os aloés andam aos pares. E crescem em danger nas arribas que derrocam derrocam derrocam.
Um dia vou beber-lhes o suco todo gota a gota. Para curar o cancro da alma e ter essa tesão desmesurada que faz a gente crescer crescer crescer mesma à beirinha do mar nas arribas em derrocada a dar beijinhos de língua e a gritar uma folha gorda gorda gorda de inchada alegria verde.

Monto-te que é quase o mesmo que te comer. Ou beber os sucos. Vamos?
Até à eternidade? Esse tempo tão alongado, interstícios de salivas e esperma, luas de conas e caralhos que fendem acima como abaixo o lugar comum de deus? Que outro nome
Dar a foder? Nenhum desoculta tão perfeitamente a vontade
Os corpos, e eu, e a falta de deus e digo
: é primavera
fodo ainda mais.
(...)

ler todo o "sujeito a tributação" de blimunda no ante mare, undae

Friday, March 24, 2006

o pequeno ácaro


(C) TCA Posted by Picasa

__________________________
I

o pequeno filho-da-puta
é sempre
um pequeno filho-da-puta;
mas não há filho-da-puta,
por pequeno que seja,
que não tenha
a sua própria
grandeza,
diz o pequeno filho-da-puta.

no entanto, há
filhos-da-puta
que nascem grandes
e
filhos-da-puta
que nascem pequenos,
diz o pequeno filho-da-puta.

de resto,
os filhos-da-puta
não se medem aos palmos,
diz ainda
o pequeno filho-da-puta.

o pequeno
filho-da-puta
tem uma pequena
visão das coisas
e mostra em
tudo quanto faz
e diz
que é mesmo
o pequeno filho-da-puta.

no entanto,
o pequeno filho-da-puta
tem orgulho em
ser
o pequeno filho-da-puta.

todos
os grandes filhos-da-puta
são reproduções em
ponto grande
do pequeno filho-da-puta,
diz o pequeno filho-da-puta.
(...)

balada ditirâmbica do pequeno e do grande filho-da-puta, alberto pimenta

Tuesday, March 21, 2006

primavera


(C) TCA Posted by Picasa

___________________________________
hoje és primavera

renasceste sob mim
nesta manhã de maio
tronco de árvore em arco
coxas e dentes cerrados
marcas de lábios gemidos

debruçado por ti
encharcado em fios suados
fatigado na fadiga cansada
lascivo na carne serena

hoje és poesia

moldado nos braços e ouvido
descrevi sentidos de ternura
montanhas de neve eterna
regatos frescos de verdura
acariciei em círculos ternos
estreitei dedos afilados
aplanei mãos em palmas
torneei faces rosadas

olhei-te
terias adormecido
calei e deixei de te roçar
de novo um sorriso e repetiste

sonhei com o paraíso

respiração profunda
recostei-me no teu braço
adormeci

nesta manhã
nasceu a primavera e uma árvore
e ao meu bom dia
saudaste
fértil manhã
de vinte-e-um de março

daniel, 21 de março, brincos de palavra

Tuesday, March 14, 2006

something missing


(C) TCA Posted by Picasa

_________________________
como me angustia
esse projeto
de interior
precário

depois que a vida
saiu
sem explicações
e
sem mandar flores

"design" Geórgia; Ponto Gê

Friday, March 10, 2006

spring heat


(C) TCA Posted by Picasa
_________________________
Anda no ar a excitação
de seios subito exibidos
à torva luz de um alçapão,
por onde os corpos rolarão,
mordidos!

Ou é um deus, oi foi a Morte
que nos vestiu este torpor;
e a Primavera é um chicote,
abrindo as veias e o decote
ao meu amor!

Esqueço que os dedos têm ossos:
é só de sangue esta caricia;
apenas nervos os pescoços...
Mas nos teus olhos, nos meus olhos,
a luz da morte brilha.

Canção primaveril, David Mourão Ferreira

Monday, March 06, 2006

desconsolo à mesa


(C) TCA Posted by Picasa

________________________________________
tarde
agosto
sufoco imposto

servi-te
pão quente
fresco e túmido
em mesa aberta
sem coberta

sôfrego
dedos em riste
faca sem gume
untaste a fenda
sem viço
como de costume
com manteiga
sem chouriço

tu
tragaste
desalmadamente

eu
bebi num ápice
gotas de leite requentado

merenda?
merda!

merenda, anna sant'iago. brincos de palavra

Tuesday, February 28, 2006

blind man

when a blind man cries (...)

(C) TCA Posted by Picasa

__________________________
Retirei do cenário a cor
Vagueei pelas cidades cinzentas

Olhei as minhas mãos
Vi-as negras de pó

Ouvi ao longe um ruído mudo
Tão longe que quase não era

É que me disseram que a cor não existe
Que tudo é plano sem forma nem tons

Que afinal vivemos numa ilusão tão grande
Que nunca chegamos a saber quem somos.

negro; de monalisa no sítio da saudade

Wednesday, February 22, 2006

touching


(C) TCA Posted by Picasa

________________________________
contempla
sem hora
sem tempo

demora

dedo que roça
pele que toca
fruta em sumo

vinho em taça

engole sem medo
desfruta em segredo

prazer de ser
cicuta

engodo de anna, brincos de palavra

Tuesday, February 14, 2006

marcha fria


(C) TCA Posted by Picasa

___________________________
Multidão anónima
… emergem de qualquer parte
trazendo consigo do vazio o estandarte!
Povoam cidades e cidades
indiferente, anónima e alheia
a sofrimentos ou a felicidades!
Contudo, ninguém entende
que todos serão um dia
envolvidos na mesma teia,
tecida pela teia que vagueia
por essa imensa estrada,
indefinida e fria

De tudo um pouco, Deolinda Mateus

Monday, February 13, 2006

Friday, February 10, 2006

moods #2: burning


(C) TCA Posted by Picasa


___________________________
Deixem-me em paz por favor
Ouçam o vento, façam silêncio
Estrangulem a voz, calem a dor
Brinquem às aparências, façam longe a festa.

Não estou para ninguém
Aqueles para quem estava
E de quem precisava
Foram...deixá-los ir, não quero a tua mão na minha testa!

Quero um cavalo sem sela
Um sol que arda
Deitar-me entre os camaleões
As cobras e os escorpiões.

Quero olhar-te com ódio puro
Queimar-te com a chama intensa
Sentir a altivez da indiferença
Cuspir que te esconjuro.

Já guardei a faca entre as calças e a pele
Invoquei a alma cigana
Fica com o vestido rosa e capa em tons pastel
Guarda o calor da minha roupa que eu vou dormir nua à sombra da iguana.
hirondelle, voando no inverno

Thursday, February 09, 2006

moods #1


(C) TCA Posted by Picasa

_____________________________

Tive pérolas, às centenas
No pescoço, nas orelhas, nos dedos
E até no umbigo
Mas há sempre
Esta alma inquieta e pouco amena
Que me faz
Sentir que viver é ter os sentidos acesos
Ouvir o vento contar-me segredos antigos
Há sempre
Uns olhos risonhos por trás da melena
Uma mesa em frente ao mar
E vontade sem medos
Cheiros intensos com sabores ariscos
Que me fazem trocar fortuna e pérolas
Por alegria, vinho branco e ostras.

hirondelle, voando no inverno

Monday, January 30, 2006

believe me


(C) TCA Posted by Picasa

_______________________
I guess
That this is where we've come to
If you don't want to
Then you don't have to
Believe me

But I
Won't be there when you go down
Just so you know now
You're on your own now
Believe me
(...)
Believe me; Fort Minor

Sunday, January 29, 2006

Thursday, January 26, 2006

wet desire

h
(C) TCA Posted by Picasa

_____________________________
"Mónica e o Desejo".

Deixa-me ser tua por uma noite.
No convés de um navio,
No cimo de umas escadas,
No sótão de um prédio antigo.
Deixa-me ser tua outra vez.
Num baralho de cartas escondido.
No torpor de um ensinamento,
De costas voltadas p’ra lua.

Deixa-me ser.

Rasgada a roupa molhada.
Aperta-me os seios carmim.
Rompe-me a pele. Despe-me.
Abre-me as pernas cruzadas.
Lambe-me as coxas torneadas de marfim.
Deixa-me ser nua.


Palpa-me de cima a baixo.
Enlaça-me os quadris e
Senta-me em cima de qualquer coisa mais.

Dou-me-te de bom grado.
Não tenhas medo. Segura-me.
Arrasta-me para um Paraíso Perdido.
Apodera-te de mim com força.
Não cedas ao mau olhado.

Leva-me contigo para cima daquele telhado antigo.

Torna-me mulher sem fado.

poema de azul, cem truques

Wednesday, January 04, 2006

giving up


(C) TCA Posted by Picasa

_________________________
in this proud land we grew up strong
we were wanted all along
I was taught to fight, taught to win
I never thought I could fail

no fight left or so it seems
I am a man whose dreams have all deserted
I've changed my face, I've changed my name
but no one wants you when you lose
(...)
don't give up, peter gabriel

Sunday, December 25, 2005

feliz natal

foi assim que uma menina pequenina, nessa altura, me desejou feliz natal.

(C) seni Posted by Picasa

Saturday, December 24, 2005

luzes de natal


(C) lunáticoPosted by Picasa

_________________________

Podia ver-se
em cada rua, casa ou poema
a luz
que te iluminou os olhos
verdes reflectidos no orvalho
da manhã que agora acordou
azuis da cor do céu sem nuvens
brilhantes em mil e uma cores
junto a mim
podia ver-se
entre os céus até Belém
onde ficou
entre o sonho e o real
presente dos tempos dificeis
podia ver-se
entre palhas e murmúrios
entre rezas no regaço apenas
um instante bastou
para que o segredo de um dia
seja história universal

luz, da betty