Monday, June 28, 2010

Tuesday, May 11, 2010

partir

partir
partir
partir para onde de longa de longa distancia
recordo o teu corpo
poema de infância
partir
partir como partem as naus do passado
sem velas sem mastros o leme quebrado
partir
partir como a espuma que deixa na areia
poemas de sal que o vento semeia
partir
partir
partir para onde de longa de longa distância
recordo o teu corpo poema de infância
canção da distância, luiz góes

Sunday, May 09, 2010

deuses pequeninos


Lá longe, onde o sol aquece e chama
sem distinguir os homens dos meninos
Lá longe, onde não há nenhuma cama
que saiba que há amantes clandestinos

Lá longe, onde a vida não arrasas
Ó maldição dos Deuses pequeninos
Lá longe, talvez o amor encontre casa
Lá longe, Lá longe

Lá longe, onde a terra ainda deixe
bichos e homens livres pelas matas
Lá longe, onde as gaivotas comem peixes
Mas não na esteira turva das fragatas

Lá longe, onde não tereis futuro
ó vendilhões da água das cascatas
Lá longe, talvez o amor possa ser puro
Lá longe Lá longe



22

Sunday, April 25, 2010

dead past


_______________
(...)
Levar a vida a lembrar
um triste e morto passado,
é como querer habitar
um lar sem chão nem telhado.

Sunday, March 21, 2010

simple things


________________
Fui à praia, e vi nos limos
a nossa vida enredada:
ó meu amor, se fugimos,
ninguém saberá de nada.

Na esquina de cada rua,
uma sombra nos espreita,
e nos olhares se insinua,
de repente uma suspeita.

Fui ao campo, e vi os ramos
decepados e torcidos:
ó meu amor, se ficamos,
pobres dos nossos sentidos.

Hão-de transformar o mar
deste amor numa lagoa:
e de lodo hão-de a cercar,
porque o mundo não perdoa.

Em tudo vejo fronteiras,
fronteiras ao nosso amor.
Longe daqui, onde queiras,
a vida será maior.

Nem as espranças do céu
me conseguem demover
Este amor é teu e meu:
só na terra o queremos ter.

Libertação; David Mourão-Ferreira