Sunday, March 22, 2009
Wednesday, March 18, 2009
Sunday, March 15, 2009
Saturday, March 14, 2009
Friday, March 13, 2009
Tuesday, March 10, 2009
you're really a cry

_____________________________
(...)
You gotta stem the evil tide,
And keep it all on the inside.
Mary you're nearly a treat,
Mary you're nearly a treat
But you're really a cry.
Pink Floyd; Animals; Pigs (Three Different Ones); Waters
Wednesday, March 04, 2009
Friday, February 27, 2009
poppy fields

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se eu soubesse ler as letras do teu alfabeto
andar as ruas da tua cidade
rimar as rimas do teu verso
se eu soubesse dizer amo-te no tom certo
e abraçar-te
e enternecer-te
se eu soubesse ler a língua com que dizes
espera
o dialecto dos olhos com que te despedes
se eu soubesse guardar o segredo
a gota da lágrima que te escorre
que tu choras
mas eu não sei
e perco-te
desespero, maria de fátima
Tuesday, February 24, 2009
antes da quaresma

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Arcano
Noite. O silencioso giro da chave fecha o portão. A rua deserta, sem testemunhas à vista. Ao longe, o som dos batuques e das marchas. O andar sorrateiro em direção à Lapa. Nada além de um vulto a contrastar com o casario de Santa Tereza.
Cinqüenta e uma semanas por ano de inflexível disciplina, irrepreensível dedicação, entrega absoluta. Não no carnaval.
A reedição de outras saídas de outras sextas-feiras que antecederam o tríduo momesco.
Que fantasias usaria? Colombina, palhaço, Clóvis, bate-bola? Pularia no Cordão do Bola Preta? Sairia no Bafo da Onça? Dançaria no baile do Clube dos Democráticos? Sambaria na Portela? Acompanharia os passos de Lopita? Frevaria com Luiz Freire? Beberia com Madame Satã? Flertaria? Amaria com culpa, mas sem reservas?
Ao fim da noite de terça-feira, como sempre, retornaria. Qual um filme rodando ao contrário, giraria a chave do portão e desapareceria no interior do vetusto casarão.
Na manhã seguinte, iniciada a quaresma, penitente, reassumiria plenamente os votos de clausura no Convento das Carmelitas.
Arcano, Manoel Carlos, Agreste
Monday, February 23, 2009
canção longe

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Ó meu bem se tu te fores
Como dizem que te vais
Deixa-me o teu nome escrito
Numa pedrinha do cais
Quando o mê mano se foi
Sete lenços encharquei
mai la manga da camisa
e dizem que não chorei
Meu amor vem sobre as ondas
Meu amor vem sobre o mar
Ai quem me dera morrer
Nas águas do teu olhar
Canção Longe
Thursday, February 19, 2009
Tuesday, February 17, 2009
flutuar

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Cansada.
De cansada não ando.
Do não andar, descanso.
- O descanso me impele
a caminhar.
Entre a inércia
e o ímpeto do movimento:
a vida.
Ela não cansa de passar.
Ela não anda, voa.
E me impele
também a voar.
- E eu vôo.
E se me canso de voar,
flutuo.
Então eu vivo
a flutuar.
a flutuar, nydia bonetti - longitudes
Saturday, February 14, 2009
Wednesday, February 11, 2009
looking at poppies
- why poppies?
- because they are red. (…) well, mostly red.
- but you draw women, mostly women?
- there is a lot of red in a woman
- red! as in… lips?
- red as in passion, hate, jealousy, …
- you mean women have a lot of negative feelings?
- no, they have a lot of red
- red being good, then?
- not necessarily
- from the way you talk you seem to understand women well.
- i wish... but they are red. mostly red, don’t you think?
- the women are red?
- no, the poppies. colors are tricky…
- and you reduce women to poppies, isn’t that a little too much?
- i do not. i simple brought them a little closer together.
- by using red?
- by painting them women.
- but minimal. do you think most women would like to be depicted the way you do?
- you mean in red? just kidding! not sure… some say they do. but i don’t do portraits anyway.
- what do you think women see in your drawings?
- themselves. at least that’s often the aim.
- aren’t you being over-economical with your modesty?
- they don’t see themselves because the drawing is good..
- that’s for sure.
- la giaconda is probably the most popular representation of a woman…
- so now you compare yourself with the great masters.
- not really… just saying that in spite of the quality of the painting, i guess not many women see themselves at the mirror when they look at it.
- so what do you think they see when they look at your …
- poppies.
- poppies?
- yes, poppies.
- they see poppies?
- no, they see red.
- because they are red. (…) well, mostly red.
- but you draw women, mostly women?
- there is a lot of red in a woman
- red! as in… lips?
- red as in passion, hate, jealousy, …
- you mean women have a lot of negative feelings?
- no, they have a lot of red
- red being good, then?
- not necessarily
- from the way you talk you seem to understand women well.
- i wish... but they are red. mostly red, don’t you think?
- the women are red?
- no, the poppies. colors are tricky…
- and you reduce women to poppies, isn’t that a little too much?
- i do not. i simple brought them a little closer together.
- by using red?
- by painting them women.
- but minimal. do you think most women would like to be depicted the way you do?
- you mean in red? just kidding! not sure… some say they do. but i don’t do portraits anyway.
- what do you think women see in your drawings?
- themselves. at least that’s often the aim.
- aren’t you being over-economical with your modesty?
- they don’t see themselves because the drawing is good..
- that’s for sure.
- la giaconda is probably the most popular representation of a woman…
- so now you compare yourself with the great masters.
- not really… just saying that in spite of the quality of the painting, i guess not many women see themselves at the mirror when they look at it.
- so what do you think they see when they look at your …
- poppies.
- poppies?
- yes, poppies.
- they see poppies?
- no, they see red.
Monday, February 09, 2009
viemos

_________________________________________
(...)
De mãos ávidas e vazias,
de ancas bamboleantes lâmpadas vermelhas se acendendo,
de corações amarrados de repulsa,
descemos atraídas pelas luzes da cidade,
acenando convites aliciantes
como sinais luminosos na noite.
Viemos ...
Fugitivas dos telhados de zinco pingando cacimba,
do sem sabor do caril de amendoim quotidiano,
do doer espáduas todo o dia vergadas
sobre sedas que outras exibirão,
dos vestidos desbotados de chita,
da certeza terrível do dia de amanhã
retrato fiel do que passou,
sem uma pincelada verde forte
falando de esperança.
(...)
Moças das Docas; Noémia de Sousa
Saturday, February 07, 2009
Tuesday, February 03, 2009
picassando

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(...)
No mês de dois seguintes o limão mirrara.
Na cama estendia-se outro lençol de lua.
Foi quando lhe encontraram o corpo.
Cuidaram que partira: apenas se cansara.
Cansara de aguardar um dia atrás do outro.
m. correia; papoilas de janeiro
Friday, January 30, 2009
linhas

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Mesmo
uma linha
recta
é o labirinto
porque
entre
cada dois pontos
está o infinito
Adília Lopes
Wednesday, January 28, 2009
Monday, January 26, 2009
Sunday, January 25, 2009
lançamento

o lançamento do livro “papoilas de janeiro” correu bem e foi muito interessante. a exposição “poppies” começou com algum atraso mas, para castigo, fica lá pendurada um mês.
agradecimentos:
ao organizador, à editora, ao prefaciador e à autora dos textos
aos que divulgaram
aos que assistiram
e, last but not least,
aos que gostam de aqui vir.
Saturday, January 24, 2009
Friday, January 23, 2009
Wednesday, January 21, 2009
Tuesday, January 20, 2009
Monday, January 19, 2009
papoilas de janeiro

lançamento do livro papoilas de janeiro e inauguração da exposição poppies no artebúrguer, dia 24 de janeiro.
Ver mapa maior
Ver mapa maior
Sunday, January 18, 2009
amendoeiras

In the southern province of Algarve, the almond trees began blooming in mid-January. So now, as every spring, the fragrant “snows” of prunus amygdalus dulcis blossoms will move northward. Some storm trackers like racing after funnel clouds; our hope would be one year to spend six weeks following the almond blossoms, from Southern Portugal all the way to Vila Nova de Foz Côa.
Human Flower Project
Saturday, January 17, 2009
Wednesday, January 14, 2009
dream
Sunday, January 11, 2009
corpo

________________________________
Meu amor, Meu amor
Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.
Meu limão de amargura meu punhal a escrever
nós parámos o tempo não sabemos morrer
e nascemos nascemos
do nosso entristecer.
Meu amor meu amor
meu nó e sofrimento
minha mó de ternura
minha nau de tormento
este mar não tem cura este céu não tem ar
nós parámos o vento não sabemos nadar
e morremos morremos
devagar devagar.
Ary dos Santos, As Palavras das Cantigas, Lisboa, Edições Avante, 1995.
aqui, na música de alain oulman e na voz de amália
Wednesday, January 07, 2009
Saturday, January 03, 2009
Tuesday, September 16, 2008
Thursday, July 24, 2008
Saturday, July 19, 2008
Wednesday, July 16, 2008
Sunday, June 22, 2008
Wednesday, June 04, 2008
florbela trágica

(C) TCA
__________________
O pavor e a angústia andam dançando…
Um sino grita endechas de poentes…
Na meia-noite d´hoje, soluçando,
Que presságios sinistros e dolentes!…
Tenho medo da noite!… Padre nosso
Que estais no céu… O que minh´alma teme!
Tenho medo da noite!… Que alvoroço
Anda nesta alma enquanto o sino geme!
Jesus! Jesus, que noite imensa e triste!
A quanta dor a nossa dor resiste
Em noite assim que a própria dor parece…
Ó noite imensa, ó noite do Calvário,
Leva contigo envolto no sudário
Da tua dor a dor que me não ´squece!
Noite Trágica; Florbela Espanca
Sunday, May 04, 2008
Saturday, May 03, 2008
Wednesday, April 23, 2008
segredo

(C) TCA
________________________
Não contes o meu
vestido
que tiro pela cabeça
(...)
segredo, maria teresa horta
Wednesday, April 02, 2008
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