Friday, January 30, 2009

linhas



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Mesmo
uma linha
recta
é o labirinto
porque
entre
cada dois pontos
está o infinito

Adília Lopes

Monday, January 26, 2009

Sunday, January 25, 2009

lançamento



o lançamento do livro “papoilas de janeiro” correu bem e foi muito interessante. a exposição “poppies” começou com algum atraso mas, para castigo, fica lá pendurada um mês.

agradecimentos:
ao organizador, à editora, ao prefaciador e à autora dos textos
aos que divulgaram 
aos que assistiram
e, last but not least,
aos que gostam de aqui vir.

Monday, January 19, 2009

papoilas de janeiro



lançamento do livro papoilas de janeiro e inauguração da exposição poppies no artebúrguer, dia 24 de janeiro.



Ver mapa maior

Wednesday, January 14, 2009

dream



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(...) Apesar da nuvem que toldara o sol, apesar do
vento, o corpo dela é todo quentura.

papoilas de janeiro

Sunday, January 11, 2009

corpo



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Meu amor, Meu amor

Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.
Meu limão de amargura meu punhal a escrever
nós parámos o tempo não sabemos morrer
e nascemos nascemos
do nosso entristecer.
Meu amor meu amor
meu nó e sofrimento
minha mó de ternura
minha nau de tormento
este mar não tem cura este céu não tem ar
nós parámos o vento não sabemos nadar
e morremos morremos
devagar devagar.

Ary dos Santos, As Palavras das Cantigas, Lisboa, Edições Avante, 1995.

aqui, na música de alain oulman e na voz de amália

Thursday, July 24, 2008

Wednesday, June 04, 2008

florbela trágica


(C) TCA

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O pavor e a angústia andam dançando…
Um sino grita endechas de poentes…
Na meia-noite d´hoje, soluçando,
Que presságios sinistros e dolentes!…

Tenho medo da noite!… Padre nosso
Que estais no céu… O que minh´alma teme!
Tenho medo da noite!… Que alvoroço
Anda nesta alma enquanto o sino geme!

Jesus! Jesus, que noite imensa e triste!
A quanta dor a nossa dor resiste
Em noite assim que a própria dor parece…

Ó noite imensa, ó noite do Calvário,
Leva contigo envolto no sudário
Da tua dor a dor que me não ´squece!

Noite Trágica; Florbela Espanca

Wednesday, April 23, 2008

segredo


(C) TCA
________________________
Não contes o meu
vestido
que tiro pela cabeça
(...)
segredo, maria teresa horta

Monday, March 31, 2008

sinnerman

- Dear A, Can’t you stop all this erotic nonsense and go back to your original still life drawings?
-

(C) TCA

sinnerman, nina simone

Sunday, January 27, 2008

Friday, January 11, 2008

Wednesday, November 07, 2007

hey... miss you


(C) TCA
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She's a hard woman to please
And I thought about letting her know
She's a hard lady to leave
and I thought about letting her go
(...)

Mick Jagger; Hard Woman

Sunday, October 28, 2007

um dia puro


(C) TCA

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Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

Sophia de Mello Breyner Andersen

Friday, October 12, 2007

quem


(C) TCA

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Quem é que abraça o meu corpo
Na penumbra do meu leito?
Quem é que beija o meu rosto
Quem é que morde o meu peito?
Quem é que fala da morte
Docemente ao meu ouvido?
— És tu, senhor dos meus olhos,
E sempre no meu sentido.

António Botto, As Canções de António Botto

Saturday, October 06, 2007

always on my mind


(C) TCA

__________________________________

Maybe I didn't love you
Quite as often as I could have
Maybe I didn't treat you
Quite as good as I should have
If I made you feel second best
Girl I'm sorry I was blind

You were always on my mind
You were always on my mind

Maybe I didn't hold you
All those lonely, lonely times
And I guess I never told you
I'm so happy that you're mine
Little things I should have said and done
I just never took the time

You were always on my mind
You were always on my mind

Tell me, tell me that your
Sweet love hasn't died
And give me
Give me one more chance
To keep you satisfied
satisfied

Little things I should have
Said and done
I just never took the time

You were always on my mind
You were always on my mind
You were always on my mind....


Always on My Mind; Johnny Christopher, Mark James and Wayne Carson Thompson
Willie Nelson

Tuesday, September 18, 2007

aconchego


(C) TCA

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Fecha-me na tua mão,
Se me fechares na tua mão estarei segura,
Se me guardares na tua mão nem os meus medos
De mim saberão,

E de mim perderão todos os sinais.
Depois…
Depois leva-me para onde fores,
Num bolso fechada
Num canto do peito escondida,
Que de mim me quero perdida
E por ti perdida de amores.

Perdida, encandescente, erotismo na cidade

Sunday, September 09, 2007

nem todo o corpo é carne...


(C) TCA
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Nem todo o corpo é carne... Não, nem todo.
Que dizer do pescoço, às vezes mármore,
às vezes linho, lago, tronco de árvore,
nuvem, ou ave, ao tacto sempre pouco...?

E o ventre, inconscientemente como o lodo?...
E o morno gradeamento dos teus braços?
Não, meu amor... Nem todo o corpo é carne:
é também água, terra, vento, fogo...

É sobretudo sombra à despedida;
onda de pedra em cada reencontro;
no parque da memória o fugidio

Vulto da Primavera em pleno Outono...
Nem só de carne é feito este presídio,
pois no teu corpo existe o mundo todo!

Presídeo; David Mourão-Ferreira

Wednesday, August 15, 2007

devaneio


(C) TCA

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Estou sedenta de qualquer coisa.
Água, talvez.
Sexo.
Pintei o cabelo de negro em busca do brilho que me envaidece.
Está sedoso.
Solto.
Brilham-me os olhos quando me vejo, nua, ao espelho.
Quero que me toques. Que me beijes a boca salivante.
Que me bebas. Que me arrebates.
Não tenho pudores que me vejas assim. Toca-me anda!
Vem comigo até à cama e torna-me senhora de ti!

Hoje, a azul cem truques

Sunday, July 29, 2007

caminhos


(C) TCA

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Os caminhos da alma
São como os do corpo
Desejosos de no mais longe
encontrar o ciciar duma voz
que diga:

Faz o que os códigos não permitem.

Fernando Bouça

(via Firebud)

Tuesday, July 24, 2007

strange strength


(C) TCA
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Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr'ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro

Que força é essa
que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo

Não me digas que não me compreendes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compreendes

Que força é essa...

Que força é essa, amigo? - Sérgio Godinho